Inverno

Neste inverno, as noites instigam ao amor. Velas iluminam o ambiente. O hálito quente, o soar das palavras sensuais em meus ouvidos. Sorvera um gole de vinho. Abdicava-me a estar atrelada em seus prestígios. Algo provinha de mim, eram rasgos de lucidez, confusos, provocados por tua presença pelo que percebiam meus olhos e meus ouvidos... ligeiramente impulsionada pela gélida impressão dos meus sentidos, a sensação que estagnava meus delírios era um estado de languidez e fraqueza extremas, um precisar de seu corpo. Deixei-me ir ao léu, tão suavemente, de maneira tão sensível e fácil, sei que cedi aos teus encantos. Teu corpo nu e quente inebria meus sentidos, teu íntimo repousa no meu ventre. Nós dois neste inverno, a carne treme incandescentes. Hibernar os corpos no langor do conforto; a alma exige deslizar no calor suave e nostálgico debaixo dos edredons sem pressa e sem muita exigência e assim mantêm estáticos, sem muito movimento, sem interrupções, entrelaçados. Nos intervalos do sono, mútua vontade latente explora novos universos. Somos apaixonados, enamorados e com toda arte transborda o cálice da paixão em procura de poesia. Os mistérios revelam quentes. E vivemos assim, matando a saudade com os olhos ardendo em desejo, bocas entre abertas, almas em chamas, carinho, carícias, selando nosso cúmplice desejo mútuo de ambos viver no conjugado verbo amor. (Poetisa Amadora